Primeiro-Ministro destaca «concertação estratégica» PDF Imprimir e-mail
04-Mar-2010
Centro Social e Paroquial de São Martinho de Brufe inaugurado
O Primeiro-Ministro inaugurou o Centro Social e Paroquial de São Martinho de Brufe, um equipamento que reforça o apoio social em Famalicão. José Sócrates realçou a «estreita articulação» entre o Governo, a Câmara de Famalicão e a Igreja na construção daquele moderno equipamento.
socrates-inaug.jpgSofia, Leonor, Martim, Matilde, Maria João e Matilde Costa estranharam e não terão percebido a razão do enorme movimento de pessoas nas imediações da sua sala de actividades da creche que frequentam em Brufe.
O espaço é recente e ainda cheira a novo. As auxiliares começam a sentir dificuldade para prender a atenção dos pequenos utentes do Centro Social e Paroquial de Brufe. As câmaras de filmar e os flashes das câmaras fotográficas despertam de vez a atenção da pequenada, surpreendida com a "invasão" do Primeiro-Ministro e da Ministra do Trabalho e da Solidariedade, entre outras personalidades. Helena André agacha-se junto à mesa onde decorre a actividade para trocar algumas palavras. José Sócrates assiste e aplaude o trabalho dos mais pequenos. A visita é curta e a comitiva abandona a sala para conhecer outros espaços do mais recente equipamento social do concelho: o Centro Social e Paroquial de Brufe, que foi inaugurado na passada sexta-feira pelo Primeiro-Ministro.
Durante a cerimónia, José Sócrates não deixou de sublinhar a articulação entre a Administração Central, as Câmaras Municipais e as instituições particulares de solidariedade social no reforço da rede de equipamentos sociais no país.
«O que se impõe nas políticas sociais de equipamentos é que haja uma concertação estratégica para que o acompanhamento à primeira infância e a protecção aos idosos sejam eficazes e bem sucedidos», afirmou.
José Sócrates falava durante a inauguração do Centro Social e Paroquial de São Martinho de Brufe, cerimónia que contou ainda com a presença do Arcebispo Primaz de Braga, D. Jorge Ortiga, e do presidente da Câmara de Famalicão, Armindo Costa, entre outras personalidades e de um número elevado de populares.
Constituído pelas valências de creche, com capacidade para 33 crianças, centro de dia para 20 utentes, apoio domiciliário para 30 pessoas e lar de idosos com 24 camas, o novo centro social é um dos 11 projectos do concelho que foram aprovados no âmbito do Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais. Implicou um investimento total na ordem dos 1,3 milhões de euros e contou com a comparticipação de 860 mil euros do Estado, sendo que a Câmara Municipal ajudou com 120 mil euros, a somar aos 200 mil euros aplicados nas obras de reabilitação urbanística da zona envolvente e na criação de um novo arruamento de acesso às instalações.
«Não se fará boa obra se não formos capazes de fazer esta concertação estratégica. A Câmara Municipal de Famalicão participou neste investimento como é seu dever, mas essa participação é de enorme importância», destacou o Primeiro-Ministro, salientando que a política de apoio de apoio à terceira idade e à infância só terá sucesso através de uma política baseada no incentivo e no financiamento do Estado às IPSS. Aliás, José Sócrates afirmou que seria um «absurdo» se o Estado decidisse fazer e gerir essas mesmas obras. «Faria certamente pior do que aquilo que é a gestão mais próxima das IPSS e dos municípios», apontou o Primeiro-Ministro, acrescentando ser fundamental o «amor ao próximo» que ali constatou.
«Estas instituições exigem muito, mas nada substitui um valor fundamental: o amor ao próximo. O facto de termos instituições como a Igreja, que em nome desse valor se empenha nestas realizações, é um capital social que este país tem obrigação de potenciar», vincou Sócrates, encorajando a direcção da instituição a prosseguir este desafio e indo ao encontro de D. Jorge Ortiga, que havia defendido que a Igreja era o «maior empreendedor social» do país.
O Primeiro-Ministro sustentou ainda que o programa PARES tem sido um instrumento decisivo na melhoria do apoio social aos idosos e às crianças, mas também um importante factor na dinamização da economia. «Dá-se oportunidade às empresas que constrõem estes equipamentos e criam-se novos postos de trabalho. E é em nome do emprego que também estamos a investir», frisou, salientando que a instituição de Brufe permitiu criar 39 novos empregos.
Já o presidente da Câmara frisou que estava perante um «investimento público que vale a pena», por servir estratos da sociedade que mais precisam de ajuda. «Vamos cuidar das crianças, dos idosos e de muitas famílias que precisam de apoio social», atirou Armindo Costa, considerando que a inauguração daquela «obra de excelência» na rede de equipamentos sociais do município representava «um dia histórico» para a comunidade famalicense.
Referindo a «articulação plena» entre a Câmara, o Governo e a paróquia de Brufe nesta obra, o edil elogiou o investimento que José Sócrates está a fazer na área social. «Sou presidente de uma das maiores Câmaras do país e não fui eleito pelo partido do Governo. Mas isso não me inibe de dizer que, em matéria de investimentos em equipamentos sociais, assim como na modernização do parque escolar, o Governo está a fazer um excelente trabalho, criando as condições indispensáveis para o desenvolvimento social e educativo», apontou, considerando que tais investimentos representam, na sua óptica, a «aplicação correcta e responsável» dos dinheiros públicos.
«São obras como esta que tornam o concelho de Famalicão mais forte, mais coeso e mais solidário», concluiu o edil famalicense.
O presidente do Centro Social e Paroquial, padre Paulino Carvalho, agradeceu o apoio de todos na construção daquela obra. Lembrando que o lema da instituição é «uma casa de todos, com todos e para todos», o sacerdote sustentou que a paróquia foi impulsionada por um imperativo de fé na criação de uma obra que teve a conjugação de diversas vontades. «Sem querer solucionar todos os problemas, este projecto procura responder ao grito humanista que os tempos actuais exigem da comunidade humana eclesial», afirmou, acrescentando que a cooperação com o Estado «é fundamental» para que seja garantida a estabilidade e o melhoramento da qualidade dos serviços prestados às populações.
Por seu turno, D. Jorge Ortiga não escondeu o orgulho na comunidade da sua terra natal, que nos últimos 25 dotou a freguesia de várias estruturas, nomeadamente a igreja e a residência paroquial, que é modelo na diocese, o pavilhão multiusos e agora o centro social. «Foram feitos sucessivos milagres numa freguesia pequena, sem ricos, mas com pessoas com grande coração e generosidade», notou o Arcebispo de Braga.
No decorrer da cerimónia, a Ministra do Trabalho e da Solidariedade anunciou que, com os investimentos feitos, no âmbito do PARES, o índice de cobertura das creches no distrito de Braga ultrapassa a média europeia. «Em 2011 o distrito de Braga, com a construção dos equipamentos de apoio à primeira infância, estará avançado e atingirá a taxa de cobertura de 42% quando a média europeia é de 33%. Pensamos que isto deve ser motivo de orgulho para o distrito», afirmou, sublinhando ainda o impacto que o PARES está a ter ao nível do emprego, estimando a criação de 1060 novos postos de trabalho em todo o distrito de Braga.
 
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