Estudo da Cidade Desportiva apresentado PDF Imprimir e-mail
04-Jul-2007
Armindo Costa reivindica apoio estatal
O verde prevalece sobre o betão na futura Cidade Desportiva de Famalicão. O estudo prévio aponta para a construção de um estádio moderno, apoiado por três campos de futebol, uma pista de atletismo e um vasto parque verde. As estimativas apontam para um investimento de 25 milhões de euros. Armindo Costa afirma que o mesmo resultará da «arte e engenho» do executivo, salientando que o projecto merece o apoio estatal.


cidadedesportiva.gifO projecto da futura cidade desportiva de Vila Nova de Famalicão vai custar entre 20 a 25 milhões de euros. Os números foram lançados pelo presidente da Câmara de Famalicão, Armindo Costa, na apresentação pública do estudo prévio daquele complexo, realizada, no passado dia 27 de Junho, no Centro de Estudos Camilianos. A cerimónia contou com a presença da arquitecta Paula Santos, autora da nova cidade desportiva, e com a participação de vários agentes políticos e desportivos do município famalicense.
Segundo Armindo Costa, o projecto poderá ser lançado até ao final do presente mandato, embora não arrisque prazo para a conclusão daquele empreendimento, atendendo às dificuldades de natureza burocrática e às indefinições quanto ao seu financiamento. «Não é um projecto para se fazer de uma assentada. O importante é que até final deste mandato os terrenos sejam negociados, executado o programa definitivo e delineada a engenharia financeira para a sua concretização», refere o presidente da Câmara, adiantando que o desenvolvimento dos trabalhos será condicionado pela capacidade financeira do município.
A nova cidade desportiva será desenvolvida nos terrenos junto às oficinas gerais do município (junto ao nó da auto-estrada), que serão transferidas para a antiga quinta do Iroma, em Esmeriz. De resto, a área de intervenção proposta ascende os 217 mil metros quadrados, fica a dois quilómetros do centro da cidade e implica o desmantelamento das instalações da antiga Estação de Tratamento de Águas Residuais da Queimada.
Segundo Armindo Costa, este projecto vai permitir uma «nova centralidade» na zona sul da cidade, onde vai surgir um estádio «moderno», com capacidade para 12 mil pessoas, embora numa primeira fase o equipamento fique apenas dotado com 8 mil lugares. Além do estádio principal, o complexo ficará dotado de um campo de treinos, dois recintos para a prática de futebol de sete e uma pista de atletismo, com as respectivas infra-estruturas de apoio. Um parque verde e uma praça pública multifuncional, que poderá acolher eventos desportivos e culturais de grande dimensão, completam a cidade desportiva, que será servida de dois parques de estacionamento com uma capacidade total para 1000 viaturas.
A arquitecta responsável, Paula Santos, realça a qualidade paisagística do terreno. «É praticamente plano, com grande visibilidade da auto-estrada e da variante e beneficia de uma paisagem extraordinária», com características rurais, cuja intervenção proposta não pretende ferir. De resto, Paula Santos, que iniciou a sua actividade como colaboradora de Eduardo Souto Moura, que desenhou o emblemático estádio municipal de Braga, refere o esforço que foi feito no sentido de que, do ponto de vista paisagístico, a cidade desportiva seja o mais discreta possível. «Não tencionamos tornar aquela paisagem muito diferente do que está hoje, pois a ideia é manter o espaço o mais naturalizado possível». Mesmo ao nível dos parques de estacionamento, o estudo aponta para a utilização de um pavimento permeável que pode levar relva no seu interior.
Paula Santos destaca a grande centralidade do terreno, anotando que a área escolhida para a implantação deste projecto «beneficia de excepcionais vantagens, nomeadamente a facilidade de acessibilidades», permitindo a deslocação a pé das pessoas que habitam no perímetro urbano, e acrescentou que a proximidade dos grandes eixos viários, nomeadamente a auto-estrada e a variante, facilita o acesso de pessoas que venham de fora do concelho e da cidade.
«Vamos trabalhar para calendarizar a concretização desta obra grandiosa e, ao mesmo tempo, encontrar o modelo de financiamento adequado», frisou o presidente da Câmara, sem deixar de salientar que seria justa a comparticipação e o apoio da administração central.
Armindo Costa referiu que este projecto resultará da «nossa arte, do nosso engenho e do nosso esforço colectivo, muito embora saibamos que seria justo contar com apoio estatal, porque o trabalho que as autarquias desenvolvem em prol do desporto é essencial para ocupar sadiamente os tempos livres dos nossos jovens».
O edil não tem dúvidas de que o município carece de um estádio «moderno e de outras infra-estruturas desportivas e de lazer», adiantando, no entanto, que o avanço da segunda cidade desportiva não implica o desmantelamento da que existe actualmente.
Projectada há mais de 50 anos, a cidade desportiva que nasceu em torno do actual estádio «não irá acabar», embora admita a necessidade da sua reformulação. «É uma zona que terá de ser tratada, mas não existe qualquer decisão quanto à sua urbanização. Essa é uma decisão que caberá aos famalicenses», explicou Armindo Costa, considerando que a melhor solução passaria por uma «situação mista». «Sei que não irei assassinar aquele espaço», sustentou, pugnando a construção de um recinto coberto para a realização de eventos desportivos e de outra natureza e urbanização da parte restante. «O meu receio é que depois de mim venha alguém que rentabilize aquilo de maneira que os famalicenses não gostariam, porque há muita gente que faz oposição mas que no passado fartou-se de dar facadas na cidade. Não faltará quem venha depois e tenha já a faca bem afiada para fazer o mesmo nesses terrenos», disse Armindo Costa. Paulo Cortinhas/Oliveira Geão
 
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