Combater a indisciplina e a violência escolar depende de todos PDF Imprimir e-mail
26-Set-2007
No combate à indisciplina e violência na escola, vários especialistas defendem um maior envolvimento da comunidade e mais autonomia para as escolas puderem criar programas adequados aos seus alunos, para combater o desinteresse, tido como uma causa dos distúrbios.


“A Convivência e Segurança nas Escolas” foi o tema que reuniu, na Casa das Artes, representantes das forças de segurança, dos pais, dos professores e das associações congéneres espanholas.
Uma oportunidade, das raras que existem em Portugal a este nível, para abordar as causas da violência, onde existe mais e quais as medidas que estão a ser tomadas e que podem surgir para combater este fenómeno.
seminarioviolenciaescolas.gif E se é facto que a violência e insegurança nas escolas existe e tem cada vez mais visibilidade, porque a comunicação social vai transmitindo episódios que envolvem alunos com alunos e alunos ou pais com professores, Paula Peneda veio a Famalicão, em representação do Secretário de Estado da Educação, dizer que, de acordo com estudos europeus, as escolas portuguesas são das menos afectadas em toda a Europa e que não se devem ampliar os casos isolados que vão aparecendo.
O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Albino Almeida, também partilha da opinião de que as «nossas escolas, no global, são locais seguros».
Mas nenhum dos presentes neste encontro ibérico sobre “Convivência e Segurança nas Escolas” negou que a violência existe e tem vindo a aumentar gradualmente, havendo zonas mais problemáticas do que outras, fruto da envolvência social.
Por isso, o vereador da Segurança, Durval Tiago Ferreira, dizia que a violência nas escolas deixou de ser um problema de segurança, para se tornar num problema social. «Face ao crescente índice de casos, torna-se urgente promover o debate e a discussão colectiva do problema. Foi esse o objectivo da autarquia ao promover este encontro», justificava o autarca, responsável pela organização do evento juntamente com a Associação Nacional de Professores.
A conclusão dos palestrantes é que é preciso promover acções, projectos, debates, no sentido de prevenir, sendo necessário preocupar a comunidade e «não só aqueles que andam dentro da escola, porque o problema da escola não é só o problema dos que lá estão dentro mas da própria comunidade», analisava João Grancho.
Na sua intervenção, o vereador da Segurança frisou, precisamente, que é importante começar a envolver mais os pais, professores, alunos e pessoas não docentes na vida da escola, «porque os portões da escola não fazem por magia desaparecer os problemas sociais que ocorrem fora desses mesmos portões». Por isso, dizia que este é um problema social.
Sendo assim, o que fazer? E são várias as propostas para análise. O representante dos pais e encarregados de educação pediu mais autonomia para as escolas, «porque temos de dar capacidade às mesmas de olharem para os alunos que têm à sua frente». Pediu também um modelo que agregue associações de pais, autarquias, professores e líderes da comunidade «para se criar um consenso quanto às regras que devem ser vividas na escola. Em vez de culpabilizar, defendo a responsabilização». Como representante dos pais, entende que os mesmos devem ser tratados pela escola como parceiros do sistema educativo e «não para serem usados quando a Direcção Regional de Educação não coloca um auxiliar de acção educativa».
A representante do Governo mencionou a importância da criação de uma equipa de missão para a segurança escolar, o observatório para a segurança escolar, o programa escola segura, o sistema de vidiovigilância e o cartão electrónico. «Estes são instrumentos que concorrem para melhorar a segurança escolar e criar condições para que a escola possa cumprir a sua missão que é ensinar», conclui Paula Peneda. Já o representante da Câmara Municipal, Durval Tiago Ferreira, sublinhou a importância da criação de uma comissão de convivência, que junte pais, professores, psicólogos, psicopedagogos e municípios. «Para abordar estas questões numa vertente mais positiva em detrimento de uma vertente mais securitária», explica o vereador, frisando ainda o valor dos técnicos sociais de educação, para uma articulação mais eficaz entre os alunos e a sociedade.
 
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